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6 de fev de 2014

Desvio de Foco: Enquanto autoridades discutem “o rolezinho” nos espaços seguros dos shoppings, a violência e a criminalidade explodem no lado de fora.

Desvio de Foco: Enquanto autoridades discutem “o rolezinho” nos espaços seguros dos shoppings, a violência e a criminalidade explodem no lado de fora.O advento dos encontros marcados pela juventude nos shoppings centers, através das redes sociais, nas últimas semanas, tem realmente preocupado as autoridades e roubado a cena da segurança pública em todo país. Porém, de forma imprópria e equivocada. Os shoppings são espaços privados destinados ao comércio e exposição de mercadorias, bens de consumo, cuja obrigação de garantir a segurança, bem estar, tranquilidade e conforto é dos investidores que todos os anos acumulam cifras vultuosas, com altas margens de lucro. O Estado por sua vez, deve garantir e estabelecer, através do regramento jurídico, o livre e universal acesso de todos que queiram usufruir das “benesses do consumismo”, afinal estamos em pleno estado democrático de direito.  O  que os jovens dos rolezinhos querem é também fazer parte desse agradável ambiente, seguro, de aroma perfumado e limpo, iluminado e bonito.  O que eles querem é ter acesso real e estar bem perto de tudo aquilo que a TV e a internet, de forma virtual, “bombardeiam” todos os dias em seus corações e mentes, que é o possível: Um mundo de oportunidades ao alcance de seus olhos e de suas mãos.
Estes ambientes dos shoppings são bem diferentes das periferias, dos becos, dos guetos, dos espaços mal divididos, sem pavimentação asfaltada, sem iluminação pública, sem equipamento comunitário, sem saneamento básico, sem lazer, sem Praça, sem segurança e sem proteção. Tudo aquilo que o poder público deveria oferecer e garantir e não fez. O que eles querem e pedem, é o que iguala e harmoniza a todos.
Noutro lado, esse mesmo Poder Público que se omitiu durante todo esse tempo, negando sua face de bem estar social, é o mesmo que agora, de forma despreparada, e preconceituosa  discrimina e estigmatiza os filhos da margem, como se já não bastasse serem sem opção, sem lazer, sem atenção, os sem espaço de convivência, sem tutela do Estado, agora também terão que ser sem shoppings. Proibir o acesso dos jovens aos shoppings, proibir os rolezinhos e estabelecer um estado de segregação social, um verdadeiro retrocesso nos resultados de 12 anos de Políticas Públicas de distribuição de renda e ascensão socioeconômica e de inclusão educacional, promovida pelo atual Governo. O que nos diria o grande Nelson Mandela, líder  e mártir da luta contra o Apartheid, se aqui estivesse diante desse tão delicado debate?
Tratar essa necessidade da juventude por espaços seguros de convivência, como assunto de Polícia, é subverter a ordem e desfocar a atenção da verdadeira causa e origem do efeito e fenômeno: Nosso país é desigual, injusto e preconceituoso, governado por uma elite econômica que controla a política e o poder de decisão e reluta por ceder espaços, para incluir  pessoas que também querem acesso aos meios e às benesses que a sociedade de consumo experimenta.
Ao chamar o aparato Policial, repressor, estigmatizando e marginalizando ainda mais os filhos da margem, o Estado deixa uma lacuna de segurança do lado de fora, desguarnece comunidades expostas a ação sem limites de criminosos que sem a presença do estado segurança, deixa inocentes entregues a própria sorte ou à falta dela.  
Se o Poder Público criasse e garantisse o acesso a espaços de convivência, agradáveis e seguros para a juventude de todas as idades, talvez  os shoppings centers  não estivessem tão cheios, e os rolezinhos aconteceriam em outros lugares seguros. Os rolezinhos são um assunto de abordagem social e não Policial. É como dizia os Titãs em seu Pop Rock que embalou os inesquecíveis anos 80, “ Polícia para quem precisa, Polícia é para quem precisa de Polícia” que as nossas Autoridades, entendam de uma vez por todas essa voz.
Denilson Martins é formado em Direito, Pós-Graduado em Criminologia, Presidente do SINDPOL/MG, Conselheiro Nacional de Segurança Pública, Coordenador Intersindical do Serviço Público Mineiro e Apresentador do Programa Segurança e Cidadania na TV BAND Minas
 FONTE:http://www.sindpolmg.org.br/pagina/3225#.UvQnRGLxrBY

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