SEGURANÇA PÚBLICA

SAIBA TUDO SOBRE A SEGURANÇA PÚBLICA!

3 de ago de 2012

MPMG quer interditar cadeia.


                      Prédio foi construído em 1972 e passou apenas por reformas superficiais



Uma vez por semana a funcionária pública Maria de Fátima Ferreira, 52, enfrenta uma dura rotina na cadeia pública de Salinas, na região Norte do Estado. Às quartas-feiras, sempre às 10h, ela entra na carceragem e é obrigada a conviver com o forte cheiro de mofo, alagamentos causados por infiltrações, grades cerradas, superlotação e até mesmo porções de terra caindo das paredes em cima dos visitantes. Tudo isso para poder ver o filho, preso há cinco meses. "Dá para sentir o que é ser tratado em condições subumanas e completamente inseguras", disse.

A situação precária da unidade prisional motivou um pedido de interdição por parte do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) - a Justiça ainda não se manifestou. Segundo o promotor João Paulo Brant, a denúncia partiu do delegado regional de Salinas, Carlos Benedett Lopes, em fevereiro deste ano, depois que uma vistoria do bombeiros detectou fragilidade em praticamente todas as paredes da cadeia.

"Tem uma parede na cadeia que vai cair a qualquer momento. Os presos não fogem porque não querem", disse o advogado William dos Santos, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas (OAB-MG).
Raio X. A cadeia foi construída em 1972 e teria passado apenas por reformas superficiais - a Polícia Civil, responsável pela cadeia não detalhou quais foram as intervenções. Hoje, a unidade acolhe 58 presos divididos em sete celas, sendo que a capacidade do local é para 28 detentos. Além disso, há apenas dois agentes penitenciários designados por turno para fazer a segurança da unidade. As visitas só acontecem na carceragem porque o pátio de 150 m² do local não comporta os presos e seus familiares.

"É chocante e humilhante. Você tem que ir à carceragem para falar com um preso. Se alguém resolve fugir ou se rebelar, é um risco para todo mundo que está lá, trabalhando ou visitando", afirmou o advogado Walter Ferreira Araújo, que há mais de 20 anos atua na área criminal em Salinas.
Providências

Denúncias.
 O Núcleo de Gestão Prisional da Polícia Civil informou que já está providenciando a transferência de presos da cadeia de Salinas para outras unidades e que busca apoio orçamentário para a reforma do local.
Buraco de 40 cm é achado em parede
As condições precárias da cadeia pública de Salinas resultaram em 17 fugas entre março de 2011 e julho de 2011, e outras duas tentativas no ano passado. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em sua denúncia, traz o relato de agentes penitenciários que, durante uma busca, encontraram um buraco de 40 cm de diâmetro em uma das paredes da unidade.
A Polícia Civil não informou quanto investiu em reformas de cadeias ainda sob sua responsabilidade. (LS)
ALTERNATIVA
Novo prédio custaria R$ 300 mil
Cansados de aguardar providências do poder público para resolver a situação crítica da cadeia de Salinas, a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) da cidade elaborou um projeto informal para a unidade. Orçado em cerca de R$ 300 mil, ele prevê a demolição do antigo prédio e a construção de uma nova unidade no mesmo local, no centro da cidade. "O prédio tem mais de 40 anos, todas as paredes correm riscos, tem que refazer", disse a presidente da Apac, Gildete Cardoso Silva Campos.

O plano de reforma contaria com seis guaritas de segurança externas, a criação de quatro celas femininas - atualmente há uma - e a ampliação de sete para nove celas masculinas. Além disso, o plano de reforma prevê a criação de um centro de recuperação para menores e a construção de uma quadra esportiva na cadeia - já que a existente hoje está desativada. O projeto foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que informou aguardar parecer da Polícia Civil sobre o orçamento. (LS).
FONTE :  
Publicado no Jornal OTEMPO em 02/08/2012
LUCAS SIMÕES

Nenhum comentário:

Postar um comentário