SEGURANÇA PÚBLICA

SAIBA TUDO SOBRE A SEGURANÇA PÚBLICA!

4 de set de 2011

Maior oferta de vagas atrai delegados cariocas para Minas.


Mais leve. O delegado Fernando Miranda afirma que seu jeito descontraído ajuda no relacionamento com os colegas de trabalho.
Seja em busca de uma rotina de trabalho mais tranquila e de um estilo de vida com mais segurança, ou mesmo uma consequência da cultura de concursos públicos que existe no Rio de Janeiro, certo é que os delegados cariocas chegaram em solo mineiro para ficar. Um levantamento extraoficial feito apenas em Belo Horizonte e na área metropolitana mostra que há na região pelo menos dez chefes de delagacias da Cidade Maravilhosa.

Em todo o Estado não há um levantamento da Polícia Civil de quantos dos 978 delegados em Minas são cariocas, mas o sotaque forasteiro tem chamado cada vez mais atenção da população. O assunto já chegou até a internet, onde, em fóruns de discussão, candidatos mineiros a concursos demonstram sua insatisfação com a concorrência carioca, que, por sua vez, aproveitam para mostrar que vieram mesmo para ficar. "Vamos que vamos, mineirada! Nunca vi tanto delegado carioca em Minas Gerais".

O delegado de homicídios de Venda Nova, Bruno Wink, 31, conta que foi muito bem recebido em Minas, em 2005. Para ele, as provas dos concursos nos dois Estados são muito parecidas e, por isso, Minas atrai tantos cariocas. "O Rio ficou muitos anos sem realizar concursos e nós fomos nos preparando. O edital de Minas saiu primeiro e já estávamos prontos para os testes daqui", justifica.

Para o casal de delegados cariocas Alessandra e Júlio Wilke a segurança foi o atrativo. "Aqui eu não tenho medo de ir a nenhum lugar para realizar o meu trabalho. No Rio, a criminalidade é muito grande, e o delegado tem que ter o cuidado redobrado", esclarece Alessandra.

Nem o salário mais baixo afasta os forasteiros. Fernando Miranda, da delegacia de homicídios do Barreiro, na capital, afirma que o baixo custo de vida em Minas é uma compensação. "A gente tem praticamente tudo que temos no Rio, só que pela metade do preço", afirmou. Em Minas, um delegado em início de carreira recebe R$ 5.716,87 por uma jornada de 40 horas semanais. No Rio de Janeiro, os iniciantes têm uma remuneração de R$ 10,5 mil para a mesma carga horária de trabalho.

A proximidade entre os dois Estados também atrai os profissionais. "A proximidade com o Rio e a admiração que tenho pelo povo mineiro foram determinantes para que eu ficasse. Hoje, não me imagino vivendo em outro lugar", declara o delegado de Betim Rafael de Souza Horácio, 31.

Dia a dia. O delegado adjunto de homicídios de Betim Thiago Saraiva, 31, chegou a Minas em 2007 e diz que são poucas as diferenças na rotina de trabalho. "A diferença mais relevante é que no Rio um delegado trabalha no confronto. Em Minas é com a doutrina", diz.




Contribuição
"Percebo muita diferença no estilo. O mineiro é mais perfeccionista e mais cauteloso. Já o carioca é operacionalmente mais célere".

Felipe Falles.
titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente

Alessandra Wilke diz que optou por Minas por se sentir mais segura.

´Concursos são questão cultural´
Se já há hoje um número considerável de delegados cariocas na capital e região metropolitana, ele pode crescer. A Polícia Civil de Minas Gerais lançou um edital com 144 vagas para delegado, com inscrições começando em 27 de setembro. Erik Wolkart, que é sócio de um curso preparatório para delegados no Rio, garante que os cariocas estão atentos.

Segundo ele, todo semestre dezenas de alunos se matriculam no curso para disputar uma vaga nos concursos no Rio e outros Estados. "Há aqui uma cultura de concursos. O aluno sai da faculdade de Direito e começa a se preparar para o serviço público", afirma Wolkart. (CG)


O que diz o chefe
Titular defende mistura cultural
O titular da Divisão de Crimes contra a Vida, Wagner Pinto, afirma que o grande número de cariocas é uma coincidência positiva para o trabalho da Polícia Civil em Minas Gerais. Segundo ele, a heterogeneidade cultural entre os delegados só contribui para as investigações, enriquecendo o trabalho. "A polícia não pode ter apenas um perfil de profissional", argumenta.

Wagner Pinto afirma que os delegados do Rio de Janeiro trouxeram mais celeridade para o trabalho, mas diz também que, às vezes, é preciso frear a impulsividade dos forasteiros. "A forma dinâmica como eles atuam é muito boa para o nosso trabalho, nós temos tido ótimos resultados. Mas eles são bem impulsivos e precisamos alertá-los sobre o lado negativo disso", conta o titular da Divisão de Crimes contra a Vida.

O delegado titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Felipe Falles, 30, trocou Niterói pela capital há seis anos. Bem adaptado, ele trouxe um pouquinha da cultura de seu Estado. "Apesar da seriedade que a profissão exige, tento ser menos formal", declara.

Paulistas. Outro vizinho que tem Minas no radar é São Paulo. Filho de mineiro, mas nascido em Ribeirão Preto, o delegado de Venda Nova, Alexandre Oliveira, 36, é exemplo de forasteiro no Estado.

Oliveira afirma que já se adaptou a Minas e defende que paulistas e mineiros têm um estilo de vida mais parecido. "Somos mais pragmáticos, os cariocas são mais extrovertidos e ousados", diz. (CG)

Saudade
Distância. Há seis anos como delegado em Contagem, Luciano Guimarães, 37, afirma que o único problema de trabalhar em Minas é a saudade da família. "A distância é meu maior desafio", afirma.


FONTE:O TEMPO.

Nenhum comentário:

Postar um comentário