SEGURANÇA PÚBLICA

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23 de ago de 2011

TRISTE NOTÍCIA:Policial larga arma por pedra.

Eles trabalham com segurança pública e ajudam no combate ao tráfico de drogas. No entanto, casos de policiais dependentes químicos são mais comuns do que apontam as estatísticas. "Junto de advogados e médicos, eles compõem o grupo de profissionais com maiores índices de uso de drogas", informa o psiquiatra Bruno de Castro Costa, especialista em dependência química. Segundo ele, o alto nível de estresse dessas carreiras os coloca ainda mais vulneráveis.

O assunto é delicado e desagrada a cúpula das polícias, que guarda segredo sobre os números de viciados em crack nas corporações. A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) não diz quantos são os profissionais afastados ou em recuperação. A Polícia Civil conta com um programa específico para prevenção e tratamento, o Programa de Acompanhamento Psicossocial (PAPS), que também mantém sob sigilo. Um vídeo em seu site apresenta a iniciativa como "acompanhamento psicossocial com visitas hospitalares e visitas nos domicílios de profissionais afastados, com o objetivo de diagnosticar os problemas que acometem os policiais".

De condições precárias de trabalho a problemas familiares, os motivos apontados pelos policiais para começar a usar o crack são inúmeros. Para alguns deles, a convivência com usuários e criminosos, o consumo de drogas legalizadas, como a cerveja, e a proximidade com as drogas por força da profissão são pontos fundamentais para entender como um policial se rende ao crack.

Foi o caso de Fabrício (nome fictício), um ex-agente de polícia de 42 anos, que é dependente químico e foi usuário de crack e cocaína por dez anos. O uso galopante da droga lhe trouxe inúmeros problemas e grandes perdas. "Comecei na cocaína e passei para o crack, que é o fundo do poço. Já gastei todo o meu salário em drogas, e quando não tinha mais grana, passei a vender coisas minhas. Chegava em casa sem celular, tênis e jaqueta; eu trocava tudo em pedra", relata. Internado mais de uma vez, disse que conheceu vários policiais dependentes químicos. "A polícia já perdeu um monte de profissionais que ficaram doentes (por causa da droga), vários bons policiais morreram de overdose. Conheci um viciado em crack que me disse que estava apenas aguardando a morte".

Fabrício trabalhou nas principais delegacias da capital, mas não conseguia largar o crack. No ápice do vício, chegou a fumar 3 gramas da droga por dia. Sua depressão aumentou e sua crise familiar também. "Fiz minha família sofrer demais. Eu só chorava e colocava a arma na minha boca para tentar me matar. Eu era o herói da minha filha, que está com 12 anos e sabe que sou viciado. Ainda me vejo como um drogado".

Em 2008, uma traficante da capital foi presa e o denunciou como cúmplice. Ele acabou preso e exonerado da corporação. "Eu comprava droga na mão dela, mas ela disse que eu que vendia, era mentira. Entrei em depressão, passei a usar ainda mais droga e quase passei fome", conta Fabrício. Estudos mostram que a droga mais usada pelos policiais é o álcool, sendo que 15% dos usuários esporádicos passam a ser dependentes químicos. Entre as drogas ilícitas, a mais consumida é o crack.

Resistência
Resquício da cultura militar é entrave ao tratamento
Cabos, sargentos, tenentes, policiais de menores patentes e até médicos da corporação. Acostumados com o cotidiano de apreensão de crack, policiais militares e civis acabam configurando o paradoxo: perdem o controle no uso da droga e acabam internados em clínicas de recuperação.

A frequência deles em tratamentos contra dependência química tem sido considerável, segundo informa um proprietário de uma comunidade terapêutica na região Central de Minas. "Já recebi aqui vários deles. Como trabalham com segurança, ficam mais vulneráveis ao crack, mas só aceitam ajuda quando não há mais outra opção", revela o homem, que foi dependente químico durante 12 anos e montou a clínica após sua recuperação.

Segundo ele, um dos entraves no tratamento dos policiais são os preceitos da cultura militar. "Eles chegam aqui arrogantes e evitam mostrar que passam por dificuldades. Nunca acham que estão viciados, mas acabam cedendo e saem daqui satisfeitos", afirma. (RRo)


Corporação costuma afastar os viciados
A pressão e o estresse sofridos por policiais em função de sua atividade têm feito com que vários deles procurem a Diretoria de Recursos Humanos da Polícia Civil em busca de tratamento contra dependência química.

A corporação não quis comentar, mas a reportagem conversou com uma ex- funcionária que trabalhou durante anos na recuperação de policiais viciados em crack. "Eles trabalham em uma condição bastante vulnerável. Isso é algo muito delicado, eles não podem ser vistos como marginais", disse. Para ela, a polícia ainda não está preparada para lidar com profissionais viciados em crack. "Eles não sabem como tratar os policiais, que acabam afastados", comentou. (RRo)

FONTE: O TEMPO.

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