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9 de jun de 2010

Direitos Humanos avança na apuração de crimes na Grande BH


Foto da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa sobre as chacinas realizadas em São José da Lapa.

Serão pelo menos mais quatro meses de investigações até que sejam esclarecidas as denúncias da existência de grupos de extermínio, com envolvimento de policiais militares, em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A informação foi dada nesta segunda-feira (7/6/10) pelo inspetor de polícia Amilton Eustáquio Félix, durante reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Requerida pelo presidente da comissão, deputado Durval Ângelo (PT), a audiência teve o objetivo de debater o andamento dos trabalhos de investigação, que já duram dois anos.
A mãe e o advogado de um dos policiais acusados, o cabo Rodney Balbino Leonardi, conhecido como "Robocop", compareceram à reunião. Hilda Balbina Leonardi reafirmou o que já havia dito em outras audiências para tratar do tema, que se trata de uma armação contra sua família. Já o advogado Felisberto Egg Rezende entregou cópias de depoimentos de testemunhas, feitos em seu escritório, contradizendo depoimentos prestados anteriormente em juízo.
Para o deputado Durval Ângelo, a simples obtenção dessas novas versões, inocentando Rodney e seu irmão, Robert, configura coação de testemunhas. "Depoimento colhido em escritório de advogado parece coação de testemunha no curso do processo. Se a moda pega, daqui a pouco não vamos mais precisar de tribunais", ironizou. O promotor de Justiça da comarca de Vespasiano, Daniel de Oliveira Malard, também achou descabida a existência de depoimentos sem a presença do juiz e adiantou que eles não têm qualquer validade.
O advogado denunciou que as testemunhas que compareceram ao seu escritório foram depois conduzidas pela Polícia Civil à delegacia para prestarem novo depoimento, desta vez mantendo as versões iniciais de suas falas.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos afirmou que, nesta terça-feira (8), vai à delegacia de São José da Lapa para obter mais informações sobre o andamento do inquérito policial que apura as mortes praticadas pelo suposto grupo de extermínio. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais, Denilson Martins, o número de homicídios nos últimos três anos chega a 40, número muito alto para uma cidade com menos de 25 mil habitantes.
Deputado cita gravações telefônicas comprometedoras
Durval lembrou que, após a prisão de Robert Leonardi, em fevereiro deste ano, caiu sensivelmente a quantidade de assassinatos na cidade. Essas mortes estariam ligadas, em sua maioria, a desavenças criadas pelo tráfico de drogas. Gravações telefônicas feitas com autorização da Justiça complicariam a situação dos irmãos Robert e Rodney, disse Durval, adiantando apenas que elas revelam diálogos comprometedores, nos quais são combinados datas e procedimentos para a execução de assassinatos.
O deputado colocou em dúvida ainda a quantidade de licenças médicas que o policial Rodney tem tirado. Há um ano e meio ele está afastado de suas funções e estava preso até cerca de 20 dias atrás, quando foi solto por determinação judicial. O advogado explicou que "Robocop" tem problemas psiquiátricos, tanto que foi deslocado para funções administrativas. Mas Durval lembrou que uma licença médica interrompe o andamento do inquérito. Ele questionou ainda o fato de o policial possuir duas armas não registradas, o que configura crime e pode resultar até mesmo na expulsão do cabo da Polícia Militar. A mãe do policial confirmou também que Robert já teve dois veículos iguais aos que foram vistos em cenas de crimes na cidade.
Ao final da reunião, Durval Ângelo entregou a Amilton Félix uma placa comemorativa cumprimentando o delegado Márcio de Oliveira Castro pelos bons serviços prestados ao povo lapense e pelo respeito aos direitos humanos.

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